Dr. Rodolfo Lara de Macedo
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Nem todo SIBO é igual. Embora muitas pessoas associem o supercrescimento bacteriano apenas ao excesso de gases e distensão abdominal, diferentes microorganismos podem produzir gases diferentes dentro do intestino — e isso influencia diretamente os sintomas apresentados pelo paciente.

Por esse motivo, os testes respiratórios mais modernos passaram a medir não apenas hidrogênio, mas também metano, aumentando significativamente a capacidade diagnóstica do exame.

O que é o Teste Respiratório para SIBO?

O teste respiratório é um exame não invasivo utilizado para investigar o SIBO (Supercrescimento Bacteriano do Intestino Delgado) e outras alterações da microbiota intestinal.

Após ingerir uma solução específica, como lactulose ou glicose, o paciente realiza coletas do ar expirado em intervalos programados.

O exame mede os gases produzidos pela fermentação bacteriana no intestino.

Os principais gases analisados são:

  • Hidrogênio (H₂)
  • Metano (CH₄)
  • Em alguns equipamentos mais avançados: sulfeto de hidrogênio (H₂S)

Esses gases ajudam a identificar padrões diferentes de disbiose intestinal e explicam por que pacientes podem apresentar sintomas completamente distintos.

Hidrogênio e Metano: qual a diferença?

SIBO produtor de Hidrogênio

O aumento do hidrogênio costuma estar mais associado a:

  • Diarreia
  • Urgência evacuatória
  • Distensão abdominal
  • Excesso de gases
  • Desconforto após as refeições

Isso ocorre porque o hidrogênio está relacionado a uma fermentação intestinal mais acelerada, podendo aumentar o trânsito intestinal.

Pacientes com quadro semelhante à síndrome do intestino irritável com diarreia frequentemente apresentam esse padrão.

SIBO pode causar constipação ou diarreia

SIBO produtor de Metano

O metano possui comportamento diferente.

Pacientes com níveis elevados de metano costumam apresentar:

  • Constipação intestinal
  • Sensação de evacuação incompleta
  • Intestino “preso”
  • Distensão abdominal importante
  • Inchaço persistente

Estudos demonstram que o metano está associado à lentificação do trânsito intestinal. Quanto maior a produção de metano, maior tende a ser a tendência à constipação.

Hoje, muitos especialistas utilizam o termo IMO (Intestinal Methanogen Overgrowth) para descrever esse padrão.

Por que isso é importante no exame?

Durante muitos anos, alguns aparelhos realizavam apenas a análise do hidrogênio.

O problema é que pacientes produtores predominantes de metano poderiam apresentar exame aparentemente normal, mesmo tendo sintomas importantes.

Por isso, os consensos internacionais atuais recomendam a avaliação conjunta de hidrogênio e metano sempre que possível.

Isso aumenta a sensibilidade diagnóstica e permite uma avaliação muito mais completa do paciente.

O exame que mede Hidrogênio e Metano é mais completo?

Sim.

Os equipamentos mais modernos conseguem identificar diferentes padrões de fermentação intestinal, permitindo uma investigação mais precisa dos sintomas.

A análise combinada dos gases ajuda principalmente em pacientes com:

  • Constipação crônica
  • Distensão abdominal persistente
  • Síndrome do intestino irritável
  • Excesso de gases
  • Diarreia recorrente
  • Sensação de estufamento após comer

Em alguns centros especializados, também pode ser realizada a análise de sulfeto de hidrogênio (H₂S), gás relacionado a determinados casos de diarreia e alterações específicas da microbiota intestinal.

Quando suspeitar de SIBO?

Os sintomas mais comuns incluem:

  • Barriga inchada após as refeições
  • Distensão abdominal frequente
  • Alterações do hábito intestinal
  • Gases em excesso
  • Dor abdominal
  • Sensação de má digestão
  • Desconforto alimentar

Pacientes com síndrome do intestino irritável frequentemente podem apresentar SIBO associado.

Como é realizado o exame?

O teste respiratório é:

  • Não invasivo
  • Sem sedação
  • Indolor
  • Realizado através da respiração

O paciente sopra em um aparelho em intervalos programados após ingerir uma solução específica. O exame costuma durar entre 2 e 3 horas.

O preparo adequado é fundamental para garantir resultados confiáveis.

Tecnologia diagnóstica mais completa

A avaliação de hidrogênio e metano permite uma investigação mais abrangente das causas de distensão abdominal, gases e alterações intestinais.

Em muitos casos, compreender qual gás está predominando ajuda a correlacionar melhor os sintomas e direcionar a abordagem terapêutica.

Referências bibliográficas

  1. American College of Gastroenterology. Pimentel M, et al. ACG Clinical Guideline: Small Intestinal Bacterial Overgrowth. Am J Gastroenterol. 2020.
  2. Rezaie A, et al. Hydrogen and Methane-Based Breath Testing in Gastrointestinal Disorders: The North American Consensus. Am J Gastroenterol. 2017.
  3. Sociedade Brasileira de Motilidade Digestiva e Neurogastroenterologia. Orientações para Teste de Hidrogênio Expirado.

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